sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Liberdade




Acho que a vida fala por si só. Chegou um momento na minha vida que eu me acomodei, de verdade. Parei de estudar e perdi toda a vontade de seguir e ser alguém. Aliás, para que ser alguém? Deveria me preocupar mais com a água, em poupar, com as árvores, ou a camada de ozônio. Mas porque eu devo me preocupar? Meu vizinho não se preocupa e tem o carro do ano. Minha mãe não se preocupa e tem uma casa e criou quatro filhos. Meu gato não se preocupa e dorme tranquilo o dia todo.

 Mas não estou aqui para falar de gatos, na verdade eu nem sei por que estou aqui. Porque estou escrevendo essa baboseira? Tava falando sobre a vantagem de ser alguém hoje em dia. Acho que muitas pessoas se perguntam isso. Parece um pensamento meio hippie, mas fazer o quê? É a realidade. Qual o sentido de você passar 11 ou mais anos em uma escola, seja pública ou particular (que é outro desperdício), passar mais 2,3,4,6 ou mais anos em um curso profissionalizante ou faculdade, fazer mestrado doutorado e sei lá mais o que? Sério, que vantagem tem?

 O cara se torna um médico, passa o restante da vida dando plantão, noites em claro, correria, atendimento, operações; sem contar os anos (e coloca anos nisso) antes disso, estudo e estudo, mais noites em claro. Ai o seu final é esse? Ficar em um hospital, sem vida social. Tudo bem, você vai ganhar seus 15 mil pra cima, mas e daí? Olha a qualidade de vida. Quando se aposentar já estará velho, brocha, cheio da grana e o melhor da vida já vai ter passado. Além dos espíritas, todo mundo sabe que você só tem uma chance de viver e vai viver para isso? Ainda mais nos dias de hoje, onde dinheiro não vale nada.

 Acho que estou na fase de escolher, não o que eu devo estudar e seguir, mas o que fazer da vida. Na boa que eu devo ser um hippie! A vida é uma só e vou vivê-la trancado dentro de um hospital, de um escritório, ou de uma fábrica? Vou viver casado? Tendo que viver pra sustentar a casa, pra fazer minha mulher feliz, trocar frauda de criança, fazer sexo regularmente com a mesma pessoa? Porque vou escolher isso se posso viver livre, sem dever nada a ninguém, sem que ninguém dependa de mim, sem ter que votar e escolher o próximo ladrão a governar minha cidade, meu estado e meu país. Porque vou me preocupar se a menina que eu fico me ama ou não. Não nasci para agradar o outro, nasci para me satisfazer e ser feliz, claro, sem passar por cima do meu próximo ou desrespeitá-lo para isso, mas vivendo em minha função, com a minha atenção girando ao meu redor e não ao redor do mundo. Sei que isso pode estar soando um pouco com egoísmo, narcisismo, ou mesmo egocentrismo, mas é a realidade. Se você vive em prol do outro e abdica de si e da sua fidelidade, abre mão do que há de melhor nessa vida: a liberdade.

 Eu acredito que liberdade deveria ser lei. Deveria ser assim nas escolas, na política, na igreja, no mundo. Quase todo mundo já nasce mandado, pronto, com o destino selado. Isso é frustrante. Porque eu tenho que estudar se não quero? Porque tenho que trabalhar se não quero? Porque tenho que casar se eu não quero? Porque tenho que acreditar em deuses? Mais são tantos? Qual escolher? Qual é o certo? E se o certo for a liberdade? O sim, o não e sem talvez?

 O conhecimento não vem da obrigação, vem do interesse e o interesse é livre! A fé não vem da obrigação, vem da percepção e a percepção é livre! O amar não vem da obrigação, vem do coração e o coração e terra de ninguém! Tudo que é de ninguém é livre e tudo que é livre é bom. O que é proibido também é gostoso, mas quando se faz o que se escolhe fazer, sabendo que ninguém irá julgá-lo por isso, é muito melhor.

 Sim, talvez se a liberdade fosse acessível a todos, o mundo seria louco e voltaríamos ao tempo das cavernas. Mas na verdade continuamos vivendo em um tempo das cavernas, esse está remasterizado, com um toque de modernidade: prédios ao invés de cavernas, carro ao invés mamutes, moedas ao invés de comida e novelas ao invés de caçadas. Mas ainda somos homens da caverna, mas com um único detalhe: tudo é proibido e o que antes se conquistava caçando com unhas e dentes, hoje se conquista trancafiado em algum lugar, enriquecendo alguém que também vive preso e infeliz, olhando uma pilha de dinheiro, tendo o mundo material ao seu dispor, mas sem algo, que para ele conquistar, precisa abrir mão de tudo isso: Liberdade.

 Acho que apesar de tudo o que eu disse, escrevi e acredito, serei obrigado a fazer uma escolha por caminhos pré definidos. De um lado está a liberdade financeira, social, amorosa, religiosa, política, racial, etc... Porque a liberdade é a única capaz de nos fazer pertencer a todos os grupos e a nenhum ao mesmo tempo. E do outro lado está a prisão do capitalismo, do egoísmo, do casamento, e por ai vai...

 Nunca me cansarei de dizer: “A escolha entre dois ou mais caminhos não é sinônimo de liberdade, os caminhos já estão prontos e foram feitos por alguém. Liberdade não é quando você não escolhe, e sim quando cria seu próprio caminho e decide para onde ele vai te levar”.

 O homem moderno gosta muito de se vangloriar, de se gabar por ter criado o avião, o computador, o celular, a água encanada, energia, a lâmpada e a bomba atômica. Falam e se dizem evoluídos, desmerecendo seus ancestrais homens das cavernas. Mas e se um dos homens das cavernas viesse hoje ao nosso mundo e o visse como está, qual seria a sua reação? De espanto, claro. Não só o espanto de contraste de realidades, mas também de vivência. O homem moderno transformou o planeta em uma bomba relógio prestes a explodir.

 No tempo das cavernas a comida era escassa e se precisava caçar para sobreviver. No tempo das cavernas as mulheres só queriam procriar. No tempo das cavernas se dormia pouco e quando se dormia, ficava sempre atento a tudo em volta. No tempo das cavernas não existiam casas. No tempo das cavernas a estimativa de vida era pouca. No tempo das cavernas existiam muitas doenças e elas não tinham cura. Mas se quer minha opinião, o homem não evoluiu. Apesar disso tudo que disse, no tempo das cavernas a vida tinha um valor maior. Se corria atrás de verdade, se fazia tudo pela vida, por mais que fosse curta. Hoje em dia se faz tudo pelo dinheiro e pelo ‘ter mais’. Hoje em dia tudo vem pronto e com veneno. Hoje em dia as mulheres querem um marido rico e/ou bonito. Hoje em dia se dorme pouco, mas não para ficar atento ao que há em volta, mas sim porque se quer mais dinheiro. Hoje em dia existem muitas casas, mas estão quase todas vazias. Hoje em dia se vive muito, mas se convive pouco. Hoje em dias não existem muitas doenças incuráveis, em menos a ganância. E se quer a minha opinião, o homem da caverna que vivia bem. O homem não progrediu, ele regrediu, deu dois passos para trás e se trancou em uma cela chamada dinheiro.



R.S.Boning

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