–
Bem – começo eu – havia um homem muito rico, era um desses empresários bem
sucedidos. Tinha uma bela conta no banco, tinha uma bela família, apesar de ele
não poder dar muita atenção por conta do trabalho. Só que ele estava muito
estressado e cansado, queria tirar uns dias de férias. Ele era rico então
viajou para um lugar distante, sozinho, sem a família. Ele ficaria lá para
descansar, sem preocupação. O lugar era lindo, era uma praia deserta, apesar de
haver um povoado de pescadores ali. Ele se hospedou em uma casinha sem TV, sem
internet, sem nenhuma preocupação. Assim que estava hospedado, resolveu ir até
a praia para pegar um sol. Abriu sua cadeira de praia, seu guarda sol, e
sentou-se tranqüilo. Ficou observando os pescadores com seus barquinhos na
água. Um deles, estava sozinho colocando seu barquinho na água. Era bem ativo
apesar de ter a aparência de um homem velho. Depois de passar as ondas e
velejar uns vinte metros depois da areia, o pescador pegou uma rede, jogou-a no mar, esperou
alguns instantes e a puxou de volta. Na rede estavam presos uns cinco peixes, o
pescador pegou os dois maiores, e soltou os outros três. O empresário vendo
aquilo, achou estranho, mas resolveu não se meter.
No
outro dia, o pescador fez exatamente o mesmo. Pescou seus cinco, seis
peixinhos, pegou dois deles e soltou o restante. O empresário não podia deixar aquilo, foi até o pescador quando ele voltava e o perguntou:
“Porque você não
fica com todos os peixes que pesca? Porque você liberta os outros, só fica com
dois?”
“Eu não preciso de
tantos peixes –
responde o pescador – eu apenas preciso
de dois, um para o almoço, e outro para o jantar”.
“Mas veja bem – começa o empresário, tentando
mostrar a ignorância do pescador – Se
você pegar seis peixes, você fica com dois e vende os outros, assim poderá
comprar uma rede maior. Com uma rede maior, poderá pescar mais peixes, poderá
vendê-los e assim rapidamente comprar um barco maior. Pescará mais, ganhará
mais dinheiro. Poderá contratar ajudantes, comprar um barco grande e pescar em
alto mar. Ficará rico, e assim, não precisará trabalhar mais, viverá apenas
observando essa linda praia”.
“Sinto muito
desapontá-lo, mas eu já posso ficar observando essa praia linda, e faço isso
com apenas dois peixes”.
O
pescador foi embora, deixando o empresário um tanto que envergonhado pela sua
ganância. Se o mundo pensasse como o pescador, haveria bem necessário para
todos, mas o consumismo e a prepotência dominam o mundo, deixando-o desgastado.
– Muito bonita a história – diz você – mas
ainda acho que precisamos de dinheiro para viver.
–
Claro que precisamos – digo eu – perece que não entende. Precisamos sim de
dinheiro, mas o necessário para viver. Um erro que a humanidade comete todos os
dias é achar que vamos ficar aqui para sempre, e por isso devemos juntar,
guardar, se matar de tanto trabalhar. Vamos viver a vida como TURISTAS. Quando
saímos de férias para um determinado lugar, levamos apenas o necessário, porque
sabemos que vamos embora um dia. A gente aproveita a viagem para ver os lugares
mais bonitos, se divertir, passar esse momento do lado de quem amamos. Mas
sempre temos que voltar. O que devemos fazer é viver a vida mais intensamente,
e quando digo intensamente, é pelo lado bom. Aproveitá-la lúcidos, e não
bêbados. Passar ao lado de quem a gente ama, e enxergar o mundo com os olhos de
um turista, vendo apenas os cartões postais. Sabendo que um dia vamos todos
voltar para o nosso lar eterno novamente.

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