sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Como terminar de escrever um livro em um hospital

   Muita gente ai pensou:
Esse cara é doido? Terminar de escrever um livro em um Hospital? Que história é essa?
    A criação do primeiro livro, foi algo inimaginável. Eu comecei a escrever as Pedras de Adão - Os Sonatas, no dia 11 de Setembro de 2010. No aniversário das torres gêmeas, eu sei. Comecei a escrever o primeiro livro em papel mesmo. Não tinha tanta técnica em digitação no computador, e escrevia de lápis, assim poderia apagar e escrever novamente, caso errasse.
   Escrever no papel é formidável, e aconselho aos iniciantes a escritores, que façam exatamente isso. Quando você escreve no papel, é como um rascunho, apesar de tentar fazer da forma mais perfeita possível, você sempre erra. Quando eu escrevi umas 170 páginas no papel, desisti. Minhas mãos doíam,  era cansativo, então percebi que era hora de passar para o Word. Comecei a digitar o livro, e apesar de ter escrito 170 páginas no papel, quando passadas para o word, tornaram-se míseras 45 páginas. Mas não foi isso que me intrigou.
    A parte mais fascinante, era poder criar coisas novas e que eu nem havia percebido da primeira vez que escrevi. Eu estava corrigindo meu livro e digitando-o simultaneamente. E isso é muito bom. Quando terminei esse processo de digitalizar o que estava no papel, já havia criado um estimulo para digitar. Agora, eu não precisava mais escrever no papel, escrevia diretamente no computador. Cheguei até o capítulo 4 e em seguida, engatei em um namoro. Todos sabem, como namoros são exaustivos e tomam o tempo da gente, não é? E assim, As Pedras de Adão ficou parado no computador, até que o namoro terminou.
   Quando voltei a escrevê-lo, foi mágico. Poderia retomar e terminar algo que seria tão gratificante e recompensador, quanto um namoro. Apostei no meu livro novamente, e escrevia aceleradamente e apaixonadamente. Era ótimo voltar a viver naquele mundo mágico, que se moldava de acordo com as minhas escolhas. Era melhor do que um mundo já criado, cheio de regras, onde o mal vencia e o amor era apenas uma palavra. Eu estava preparado para reescrevê-lo, como talvez, eu nunca estaria em outra oportunidade.
   Terminava um capítulo atrás do outro, a imaginação fluía junto com a história. Quando estava escrevendo o capítulo "13 - Primeira Aula de Alquimia", foi quando aconteceu o fato que me levou ao hospital. Minha mãe caiu de um barranco, rompendo um coágulo de sangue que se alojou em seu pulmão, transformando uma trombose, em uma embolia pulmonar. Ela teve que ser hospitalizada, foi parar no C.T.I. e tudo. Assim que seu quadro de saúde melhorou, ela foi transferida para um quarto, onde ficou em observação, mas o hospital exigia que ela tivesse um acompanhante. E adivinha quem foi???
   Fui fazer companhia para minha mãe no hospital. Mas claro que meu livro não iria ser abandonado. Peguei o notebook da minha cunhada emprestado, e encarei o hospital. Confesso que odeio hospitais. O cheiro de álcool me causa falta de ar, sem contar, que é um ambiente triste, onde ocorrem mortes, onde pessoas definham até o último suspiro de vida. Aquele ambiente era deprimente, e tinha anseio de que talvez, atrapalhasse minha criatividade e raciocínio. Mas não foi problema.
   Apesar do estado de saúde ruim, minha mãe foi uma ótima acompanhante. Pude escrever sem nenhum problema. Tinha uma rotina a seguir: acordava bem cedo (as enfermeiras aplicavam o remédio e entregavam o café logo de manhã). Em seguida, escrevia até o horário do almoço, fazendo pausas apenas para atender aos pedidos de minha mãe. Logo depois do almoço, dava uma volta na praia (Tive a sorte do hospital ficar do lado da praia. Apesar de não ser muito fã de praia, era uma ótima forma de esfriar a cabeça). Assim que retornava da minha volta na praia, continuava a escrever, só parava para o jantar. 
     E assim meus dias foram passando. 
   No dia 25 de dezembro de 2011. Natal, eu sei. (Passei o natal no hospital, vejam só). E melhor, terminei de escrever meu livro nesse dia, quer presente maior? Sim, havia presente maior. Minha mãe recebeu alta no dia seguinte e pudemos festejar o ano novo em casa. E que ano novo, não é? Minha mãe venceu uma trombose e embolia pulmonar, venceu um C.T.I. venceu um hospital. E eu venci meus limites, venci minha fraqueza. Consegui conquistar um sonho, havia iniciado um novo ano com um novo título. Não era apenas Rondinelle Santos Boning, havia me tornado R.S.Boning. A partir daquele dia, eu era um escritor.
   E só para perceberem como são grandes as dificuldades enfrentadas por um autor, demorei quase um ano para conseguir uma editora e lançar meu livro. E talvez, se tudo conspirar a favor. No dia 25 de Dezembro de 2012, um ano após o termino do primeiro livro, o meu rebento será lançado oficialmente por uma editora!
     Imaginem a minha alegria, imaginem a minha satisfação comigo mesmo. 
   Assim, deixo uma forma interessante de se terminar um livro. Quando conto as pessoas que terminei meu livro em um hospital, sempre ouço a mesma piadinha:
- Nossa! O livro deve ter ficado sangrento!
   E apesar de tudo, não ficou sangrento, ficou exatamente como eu desejava.

OBS: Durante toda a minha estadia no hospital, minha mãe não fez nem ideia de que eu estava escrevendo um livro.

   Pena eu não ter nenhuma foto que registre esse momento. 
   E essa odisséia louca, dá quase um outro livro. rsrs' Hoje, são apenas lembranças.
R.S.Boning

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